Epidemia de dengue no Paraná preocupa autoridades de saúde

Epidemia de dengue no Paraná preocupa autoridades de saúde

Sintomas parecem de gripes comuns ou Covid-19: mal-estar, febre súbita, dores no corpo, nas articulações e na cabeça; na maioria das vezes, desconfortos passam em uma semana

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) declarou situação de epidemia de dengue no Paraná no último mês de abril devido ao aumento do número de casos. Desde o início do período sazonal da doença, que começou em agosto de 2021, foram notificados 109.574 casos. Ao todo, 374 municípios paranaenses - que correspondem 93,7% do estado - registraram notificações de dengue. Os dados são da primeira semana de maio de 2022.

A dengue é uma doença febril aguda causada por um vírus. A transmissão é feita pelo mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. São quatros os tipos da doença: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN. Quando uma pessoa contrai algum deles acaba desenvolvendo imunidade parcial ou temporária contra os outros tipos.

Rafael Mendonça Rey dos Santos, coordenador médico do Centro de Qualidade de Vida (CQV) do GNDI Sul, explica que a dengue sugere uma infecção viral como resfriado comum, mas com a possibilidade de apresentar sintomas gastrointestinais, como diarreia e vômitos. “O quadro clássico é de febre de início rápido, dor no corpo, mal-estar, dores articulares, dor de cabeça e dor atrás dos olhos. Metade das vezes, pode apresentar lesões na pele, como bolinhas e manchas vermelhas espalhadas pelo corpo, que vão cobrindo cada vez mais lugares. Depois do sétimo dia, a febre costuma diminuir, porém podem aparecer sintomas que indicam maior gravidade, como falta de ar e vômitos muito intensos e dor abdominal bem forte, que podem ser devidos a derrame pleural (água no pulmão), sonolência ou irritabilidade excessivas”, diz.

Além da dengue clássica, que é mais comum, a reincidência da picada do mosquito infectado pode causar a dengue hemorrágica. Mais grave, pode apresentar sangramentos nas gengivas, nariz, olhos, vômitos com sangue, sangramento pela vagina (como uma menstruação), sangramento na urina e nas fezes. “Esses sintomas são em decorrência da diminuição rápida nas plaquetas do sangue, o que impede a coagulação sanguínea. Quando ocorre, é sempre perigosa”, relata Rafael dos Santos.

Ele acrescenta que para diferenciar as duas formas é realizada a prova do laço, que é feita com o esfigmomanômetro (o aparelho comum de medir a pressão). O teste consiste em se fazer a medição da pressão arterial insuflando o manguito do aferidor de pressão até ao valor médio entre a pressão máxima e a mínima. O próximo passo é desenhar um quadrado no antebraço. O resultado do exame é considerado positivo se houver 20 ou mais pontinhos vermelhos naquela área em adultos e 10 ou mais em crianças.

Tratamentos


O tratamento da dengue é prescrito conforme a gravidade da doença. São usados medicamentos para hidratação via oral, além de analgésicos e antitérmicos. Rafael dos Santos alerta que nunca devem ser usados os anti-inflamatórios, que trazem um risco maior de sangramento. “Em caso de vômitos, prescreve-se antieméticos comuns e, caso haja muita coceira, anti-histamínicos”, aponta Rafael dos Santos.

Se houver algum indício de manifestação hemorrágica (sangramento), é necessária avaliação por meio de exames laboratoriais (hemograma) e hidratação oral supervisionada, para garantir a ingestão adequada de líquidos. “E se for necessário, ministramos a hidratação com soro endovenoso nos pacientes. Dependendo da gravidade, em casos excepcionais, a recomendação é a transfusão sanguínea”, acrescenta o coordenador médico do CQV.

Responsabilidade


Rafael dos Santos ressalta que a dengue é uma doença endêmica (comum) de várias regiões do Brasil, o que faz com que a maioria da população se acostume com ela. Para ele, combater a dengue significa manter vigilância constante quanto ao vetor, o Aedes, que transmite ainda outras doenças, como a febre amarela - outro problema de saúde pública do país.

“Não existe dengue se o mosquito Aedes aegypti não existir. E, para isso, precisamos ter responsabilidade individual para cuidarmos do nosso entorno e evitar que o mosquito provoque doenças em nós e na comunidade em que vivemos. Infelizmente, em situações em que temos muita sujeira e entulho, ocorre o acúmulo de água que pode tornar-se o ambiente ideal para a proliferação desse mosquito”, afirma Rafael dos Santos.

Algumas cidades brasileiras fizeram a lição de casa e conseguiram combater a dengue, como Niterói. Mesmo com o clima e o bioma do município fluminense, que favorecem a reprodução do mosquito, as autoridades de saúde, com o apoio da população, conseguiram diminuir os casos da doença. No Espírito Santo também teve uma experiência exitosa no controle da dengue. “Nos dois locais houve ações consistentes e persistentes no âmbito da Atenção Primária à Saúde, com criação de equipes de saúde competentes e investimento na Estratégia de Saúde da Família”, finaliza o coordenador médico do CQV.

Selo ANS Número ANS