De que forma a vacina do sarampo atua no organismo?

De que forma a vacina do sarampo atua no organismo?

Baixa adesão à vacinação desencadeia aumento de contágios e proliferação da doença, que pode deixar sequelas e até levar à morte

Um levantamento do Vax*Sim - projeto do Observatório de Saúde na Infância - mostra que apenas metade das crianças brasileiras está com a carteira de vacinação em dia. Para reverter esse quadro, o Ministério da Saúde reforça a importância da imunização infantil, sobretudo contra o sarampo. A vacina já conseguiu tirar o vírus de circulação do continente americano em 2016. No entanto, surgiram novos casos da doença que chegaram a provocar um surto de sarampo no Brasil em 2019. Dois anos depois, o vírus altamente contagioso voltou a preocupar as autoridades da saúde no país.

Para se ter uma ideia, mais de 17 mil casos de sarampo foram relatados em todo o mundo entre janeiro e fevereiro de 2022. O número é alarmante em comparação com o mesmo período em 2021, ocasião em que foram registrados 9.665 casos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Por ser uma doença contagiosa, o vírus tende a se espalhar quando a cobertura vacinal diminui. E podemos encarar o aparecimento de novos casos no Brasil como um retrocesso na luta contra a doença”, diz Rafael Mendonça Rey dos Santos, coordenador médico do Centro de Qualidade de Vida (CQV) do GNDI Sul.

A imunização do sarampo faz parte do calendário básico de vacinação das crianças brasileiras e pode ser ministrada por meio da vacina tríplice-viral, que protege contra três doenças causadas por vírus simultaneamente (sarampo, caxumba e rubéola) ou da tetra viral, que inclui a proteção contra a catapora.

A vacina estimula o sistema imune do indivíduo e induz a formação de anticorpos contra o vírus do sarampo. “É um procedimento muito eficaz e que não oferece nenhum risco em quem recebe a dose. Vacina é sinônimo de proteção. Na prática, se a pessoa exposta ao vírus já tiver os anticorpos, a doença não irá se manifestar”, explica Rafael dos Santos.

A vacina contra o sarampo é injetável e deve ser aplicada em duas doses da trípliceviral (a primeira aos 12 meses e a segunda entre os 15 e 24 meses de idade) ou em dose única da tetra (entre os 12 meses e 5 anos de idade).

Transmissão do sarampo


O coordenador médico do (CQV) explica que, como no vírus da gripe, a transmissão do sarampo se dá pelo ar. Doentes que tossem, espirram ou têm outro contato próximo com outras pessoas - com ou sem troca de secreções - podem transmitir a doença. O vírus permanece ativo no ar contaminado por até duas horas.

O sarampo pode deixar sequelas (surdez, cegueira, retardo do crescimento e redução da capacidade mental) para toda a vida ou levar a óbito. O primeiro sintoma da doença é a febre alta, que aparece entre o décimo e segundo dia após o contágio. Nariz escorrendo, olhos ardendo e tosse também são sinais de que o organismo foi contaminado pelo vírus.

Outra manifestação comum na fase inicial da doença é o aparecimento de manchas brancas na parte interna das bochechas. Logo surgem as erupções cutâneas no rosto e no pescoço. Nos próximos três dias, as bolinhas se espalham pelo corpo e o ciclo de duração dessa fase é de até seis dias. Apesar de serem o sintoma mais conhecido do sarampo, as erupções só aparecem no intervalo de 7 a 18 dias após o contágio.

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